28 de abril de 2015

O tempo chuvoso e os sons dos trovões deixam o tempo ruim mas também davam idéia de como estava a situação nos porões daquele navio que estava em alto mar ...
       Os escravos amontoados uns aos outros cediam um pouco do apertado local para aquelas duas mulheres afinal ela estava dando a luz, a parteira gritava com todos e ao mesmo tempo pegava uma camisa velha cedida por um dos que ali estavam e molhava na urina e colocava na testa da gestante não havia água ali então ela improvisou com o que tinha. O seu nome original ninguém sabia,os homens livres a chamavam de Gertrudres,ela iria fazer a viajem logo após parir a criança em terra firme porém o pai da criança foi primeiro e ela logo deu um jeito e fugiu no navio seguinte para encontra-lo.
       Horas se passaram e a mulher ainda paria,era uma guerra difícil que com muito custo e condições precárias foi vencida pela jovem negra que só teve tempo de amamentar uma vez a criança e logo faleceu,
com desespero no peito a parteira olha o negrinho cevado e ali decide que seria responsabilidade dela cuidar dele,ela vai e bate por muito tempo no alçapão que os trancava até que alguém o abre e então começa a falar com o homem que a ouvia calmo.
- a mulher grávida que estava lá dentro morreu após o parto
- mandarei que os homens vão e retirem o corpo de lá,quanto a criança a jogaremos junto...
- se o senhor me der apenas algo para alimenta-lo eu cuidarei dele sem pedir nada em troca 
- te darei um voto de confiança todos os dias eu mesmo entregarei leite de cabra para alimenta-lo e se ele der problemas eu mesmo darei cabo da vida dele.
         Após este breve diálogo três homens descem até o local e encontram ali os negros molestando o corpo inerte de Gertrudres.
         Depois de espanta-los a chutes eles carregam o corpo e jogam no mar e então o capitão põe todos os escravos de volta ao porão e a viagem segue"normalmente".
         Muitos dias depois o navio atraca no porto de uma colônia nova que se chamava Brasil e lá os poucos que sobraram foram levados para a praça da pequena vila e colocados em fila, o capitão olhou a mulher com a criança e a colocou no último lugar da fila,todos os fazendeiros a olhavam e pelo fato de estar com a criança ela não era comprada,até que um senhor de meia idade a comprou e alegre disse.
-Esta escravinha e o filhote dela serviram para o que eu tenho em mente vou por ela para cozinhar e o garoto vai ser do meu filho que é recém nascido,são 40 reis não é ?
      Ele deu o dinheiro e amarrou as cordas na mulher e as emendou na charrete que logo já se movimentava puxando a mulher que carregava o menino. 

Postado às18:50 por Unknown

Nenhum Comentário

17 de abril de 2015

" Um pequeno incomodo a minha volta já é o bastante para me despertar em estado de alerta...
Meus olhos doem por um segundo e demoram milésimos para atingirem o foco correto da imagem clara de todas as coisas a minha volta, meus ouvidos se levantam e eu posso escutar ate a respiração dos ratos que vivem junto comigo, toda a minha pele esta sensível sentindo ate o peso e o movimento de meus pelos, e minhas narinas se abrem para o ar a minha volta e eu sou capaz de sentir o cheiro dos homens mesmo a vários metros de distancia, um cheiro de excrementos e sangue...
Então eu olho a minha volta procurando o que me acordou de repente, enquanto eu dormia senti algo pontiagudo em minha barriga então eu acordei rápido preparado pra me defender de qualquer invasor e destroçar quem quer que estivesse me ameaçando, mas não vi um único ser a minha volta então olhei para baixo e vi o que estava me incomodando, uma lasca quebrada de uma costela das minhas ultimas refeições. Tem algum tempo que eu me mudei para esta cabana antiga e por sorte ela tem um grande buraco vazio embaixo dela e por mais de um mês eu venho trazendo carcaças de animais grandes aqui pra baixo e as vezes ate caçadores mortos que tentam me matar e não tem porque desperdiçar uma presa fácil ainda mais quando ela vem ate você com tanta boa vontade, então eu deixo os ossos no chão o que acaba deixando uma superfície irregular mas extremamente confortável de se deitar em cima.
Eu me acalmo e tranquilizo meu sentidos e apenas me preparo para me deitar de volta, dou alguns passos para traz e com minhas patas dianteiras eu vou esmagando os ossos abaixo de mim, para que eles criem uma superficie mais plana e mais agradável então eu paro percebendo que já esta bom o suficiente e que não tem mais pontas de osso para me espetar, então eu sento nos meus quartos traseiros e depois encosto minha barriga e meu peito no chão e me enrosco sobre mim mesmo, então eu volto a dormir por um tempo...
Ate que eu cordo de novo e desta vês desesperado e extremamente assustado com o pesadelo, checo minha cama e meu quarto para ver onde eu estou e eu percebo que desta vez eu realmente estou na minha própria casa, mas o susto e o medo ainda não deixaram meu corpo e eu olho atentamente para minhas mãos e elas continuam humanas, eu não estou em um buraco na terra junto com ratos e não estou deitado em cima de esqueletos de pessoas e animais mortos, ainda sou humano e mesmo sabendo que agora eu estou no mundo real eu me levanto para ir ate o banheiro para lavar meu rosto e tentar me acalmar...
Se existir uma pergunta que resume tudo aquilo que esta em minha mente neste exato momento, dentre todas as outras que estão ecoando em minha mente.
- O que esta acontecendo comigo?"

Postado às15:21 por Unknown

Nenhum Comentário