Doce tempestade, por que vens ao meu céu? qual busca a trás tão longe? Não tem campos pra atormentar, casas pra destruir, famílias para arrasar? por que logo meu casebre? Vivo humilde à margem de todos eles, e logo a mim vem a condenação?
Pobre homem, isolado. O casebre destruído reflete seus sonhos esmagados. Até lá irei, como chuva e esperança. Raios cairão, ventos uivarão, e a água irá cair.
Talvez a chuva lave meus pecados, e o vento me conforte esta noite, os raios podem não ser o fim. Que a água leve os meus sonhos frustrados e traga um novo começo na nascente de um rio, meu Deus guiará.
Pobre homem, ainda clama ao senhor. Não foi Ele que nunca o ouviu, e deixou-o no casebre? Vim para ti como chuva, para salva-lo, e ainda esperas neste senhor que nada lhe deu? Piedade tenho de sua alma, que acolhe a chuva sem ama-la, que abraça o vendo sem saber quem o trouxe. Eu vim a ti, meu pobre homem, sou pequeno como tu... Quando o fim chegar verás, estarei lá.
Meu céu antes azul se torna negro, a dor será grande, o tormento será forte. Pode o senhor me ouvir?
Que a água varra tudo.
Lugo
Postado às18:39
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