Eu respiro pela última vez, o ar frio dos dias, aproveitando meu último segundo de vida e liberdade e me entrego com tristeza e desejo a ela.
Não deixo de me sentir desolado e melancólico, mas uma parte de mim sorri com toda a força e energia de minha alma.
Estou logo atrás dela, observando seu balançar lento e hipnotizante. Seu vestido cor de perola balança com o vento mostrando os contornos belos de seu corpo, seu cabelo dourado se move acompanhando a brisa como uma besta selvagem e indomável. Ela caminha lentamente me guiando até seu altar, Uma única e imponente estrutura de puro mármore branco em meio a um imenso jardim. A medida que me aproximo eu sinto uma enorme infelicidade e mesmo assim estou ancioso para chegar nele.
Finalmente chegamos, ela se vira e me encara com seus olhos vermelhos como rubis e sorri para mim.
"Estou pronto" digo a mim mesmo "estou pronto" eu repito entao eu ergo minhas mãos para ela. E então está feito. Com todo cuidado ela pega alguns ramos de uma roseira que crescia no meio do altar e enrola meus pulsos gentilmente com elas. Um sinal de nosso amor ela disse. E continuou trançando eles em meus pulsos até eu não poder mais move-los, lentamente eu sinto minha pele ficando úmida e sinto meu sangue encharcando aquela corda improvisada até que começa a gotejar gotas negras no chão. Então ela me beija e entre seus beijos eu adormeco para nunca mais acordar longe do alcance dela e de seu amor...
Escrito por corvo suicida




