O tempo chuvoso e os sons dos trovões deixam o tempo ruim mas também davam idéia de como estava a situação nos porões daquele navio que estava em alto mar ...
       Os escravos amontoados uns aos outros cediam um pouco do apertado local para aquelas duas mulheres afinal ela estava dando a luz, a parteira gritava com todos e ao mesmo tempo pegava uma camisa velha cedida por um dos que ali estavam e molhava na urina e colocava na testa da gestante não havia água ali então ela improvisou com o que tinha. O seu nome original ninguém sabia,os homens livres a chamavam de Gertrudres,ela iria fazer a viajem logo após parir a criança em terra firme porém o pai da criança foi primeiro e ela logo deu um jeito e fugiu no navio seguinte para encontra-lo.
       Horas se passaram e a mulher ainda paria,era uma guerra difícil que com muito custo e condições precárias foi vencida pela jovem negra que só teve tempo de amamentar uma vez a criança e logo faleceu,
com desespero no peito a parteira olha o negrinho cevado e ali decide que seria responsabilidade dela cuidar dele,ela vai e bate por muito tempo no alçapão que os trancava até que alguém o abre e então começa a falar com o homem que a ouvia calmo.
- a mulher grávida que estava lá dentro morreu após o parto
- mandarei que os homens vão e retirem o corpo de lá,quanto a criança a jogaremos junto...
- se o senhor me der apenas algo para alimenta-lo eu cuidarei dele sem pedir nada em troca 
- te darei um voto de confiança todos os dias eu mesmo entregarei leite de cabra para alimenta-lo e se ele der problemas eu mesmo darei cabo da vida dele.
         Após este breve diálogo três homens descem até o local e encontram ali os negros molestando o corpo inerte de Gertrudres.
         Depois de espanta-los a chutes eles carregam o corpo e jogam no mar e então o capitão põe todos os escravos de volta ao porão e a viagem segue"normalmente".
         Muitos dias depois o navio atraca no porto de uma colônia nova que se chamava Brasil e lá os poucos que sobraram foram levados para a praça da pequena vila e colocados em fila, o capitão olhou a mulher com a criança e a colocou no último lugar da fila,todos os fazendeiros a olhavam e pelo fato de estar com a criança ela não era comprada,até que um senhor de meia idade a comprou e alegre disse.
-Esta escravinha e o filhote dela serviram para o que eu tenho em mente vou por ela para cozinhar e o garoto vai ser do meu filho que é recém nascido,são 40 reis não é ?
      Ele deu o dinheiro e amarrou as cordas na mulher e as emendou na charrete que logo já se movimentava puxando a mulher que carregava o menino.