Todos os dias eu os sinto, rastejando entre músculos e ossos em meu peito, inchados de tanto se alimentarem, vermes carniceiros, devorando de cada parte morta e apodrecida de minha felicidade, de minha esperança, de qualquer sentimento que me faça sentir humano e talvez ate mesmo vivo e ate mesmo o simples ato de sorrir se torna a mais absurda estupidez e nem mesmo eu me dou o direito de fazê-lo, mesmo que por uma simples e bela mentira.
E eles continuam caminhando dentro de meu corpo, abrindo caminhos entre meus ossos e minha carne, devorando as partes podres e decaidas daquilo que e eu já fui um dia, e da pra senti-los gordos e inchados de tanto se alimentarem, como lesmas grotescas e arredondadas, caminhando dentro de mim.

Eu sei o que eu fui um dia e eu sei o que eu me tornei e o que eu sou hoje, não sou nada alem de um cadáver, vivante, respirante e ambulante, carregando em si a absurda estupidez de continuar sempre sorrindo.