dormir é difícil, devagar
ao momento que sinto o olho fechar
aquele barulho veio incomodar
maldita árvore na janela a trombar

já são meses, e nunca lembro
e toda noite cortar a árvore eu prometo
mas durante o dia a ideia se vai
como aquele sonho bom que não se lembra mais

Porém hoje não é um bom dia
agora mesmo cortarei a maldita
no escuro da lua nova
o machado velho faria a prova

cada golpe é um sorriso
o ataque é preciso
em um estrondo o tormento chega ao fim
"a árvore se foi, posso dormir"

na noite seguinte o barulho retorna
"Deus aquela árvore já esta morta!"
me levanto raivoso procurando o lugar
do barulho tenebroso de no vidro um golpear

o terror em meu rosto não se pode esconder
quando vejo no espelho algo bater
por dentro dele grita e bate
meu próprio rosto busca liberdade!

Lugo Totvs