O rei caminhava sozinho.
Dono de um mundo que ele julgava lindo, mas um mundo só dele. Era bom. Sua mente permeava cada detalhe, e até as partes mais escuras lhes eram agradáveis.
Já havia se acostumado a caminhar no limite, a parecer estar nessa realidade horrível, escondendo sua real morada, seu reino. Havia o medo, medo das pessoas. De verem seu mundo e julga-lo, destrui-lo.
Mas em segredo o Rei se sentia sozinho. Construir um mundo era tudo, mas a sensação de não ter com quem dividir o sufocava. Ele caminhava sempre observando, atento em perceber alguém que pudesse ver tudo que ele vê, que pudesse sentir...
Erros aconteceram, elas não mereciam, mas sem saber o rei as levou e cada uma deixou sua mancha no reino.
Já era hora de desistir...
Parecia não existir a rainha que ele tanto buscava. Até que um dia, como obra do acaso divino, surge um olhar. E aquele olhar bastou para o rei se encher de esperança novamente. Um olhar de quem não só enxergava, mas via. Via as coisas de verdade.
Nesse momento o Rei soube então o que era a insegurança. Ele, o senhor de um mundo se sentiu pequeno perante Ela. Mas se aproximou, se era Ela a rainha, ele precisava tentar. E como se estivesse escrito em alguma profecia o rei viu seu próprio mundo responder a ela, as cores se acenderem, as árvores se moverem, o céu chorar em alegria de chuva... Era ela!
A rainha tinha o poder que ninguém além dele jamais teve, construía junto com ele, moldava junto com ele. Maravilhas sejam ditas em nome dela, que mostrou um brilho que o rei jamais veria sozinho. Ela, sua rainha, lhe deu um motivo, e agora os dois juntos seguem construindo pois são, e sempre serão senhores de um mundo inteiro feito deles.

Lugo